Arkmen Rá

Tiefling Warlock

Description:
Bio:

Nunca fui um ser abençoado por qualquer divindade, reconheço… Mas ao menos Amon Rá se lembrou de estender suas mãos à cabeça de um de seus “filhos” e atender às suas singelas preces quando mais precisou… Principalmente a de vingança. Devo minha vida a ele. Sei que não é difícil ouvir alguém dizer o que acabei de dizer agora, parece até banal, mas garanto que é raro achar tal frase com tamanha veracidade e veemência como as que imponho em minha fala.
Foi ele quem me salvou de um destino do qual eu abominaria ter se viesse a possuir a sanidade que possuo atualmente. Digo isso porque já aos 8 anos de idade conheci a atrocidade na qual o mundo está mergulhado quando tive um surto mental visionário que não consigo esquecer até hoje:
A brisa vinha claramente de um poço na praça central, um poço comum mas que atualmente servia somente de adorno da cidade visto que a cidade já pegava água do riacho que corria próximo dali. As ruas estavam desertas, as casas fechadas, era melhor, assim ninguém me veria passar. Olhou para o poço e o poço me olhou, brilhante, profundo, cristalino como eu queria que o futuro fosse. Me curvei até não poder mais como se o fundo me puxasse e como se abraçasse meu destino, caí de braços abertos para então perceber que as estrelas do poço não eram reflexo do céu, eram algo que ninguém nunca suspeitaria, um tipo de véu que foi trespassado por meu corpo até que ao cair, percebi estar num tipo de caverna, um túnel subterrâneo que descia cada vez mais com o chão forrado de sujeira e lama. No fundo do túnel, um esqueleto pairava no chão com as mãos estendidas sobre um baú com inscrições em várias línguas diferentes. Valia a pena arriscar minha vida solitária e estigmatizada pelo que poderia haver ali. Apesar do pobre coitado no chão, acreditava que se ele havia sido levado até ali pelo destino, nada de ruim poderia acontecer a mim. E assim foi, ao colocar as mãos no baú e abri-lo, labaredas de fogo surgiram de todos os lados e fizeram-me sentir o calor do inferno até quase ficar desacordado…quase.
Tirei as mãos de dentro do baú mesmo com dor e sangrando para ver uma luva, dourada e com adornos enevoados pela minha visão não conseguia identificar, mas claramente a própria luva brilhava como o Sol. Assim, descobri que era isso que eu olhava de volta quando fitei o poço pela primeira vez. Ao sair do poço, agora sendo jogado em uma cena no meio da cidade haviam pessoas perambulando ao redor que usavam máscaras, cada uma de uma cor, elas faziam uma dança e pessoas morriam ao redor enquanto elas dançavam, o clima era instável e em segundos era possível ver raios, fogo, gelo e uma nuvem ácida no céus, a dança continuava até que os dançarinos se juntaram e se fundiram, corpo com corpo, máscara com máscara e do amontoado de carne e ossos duas enormes asas brotaram e se ergueram imponente com 5 cabeças, cada uma com a cor de uma das máscaras.
Quando acordei desse devaneio, meu corpo estava deitado no parapeito do poço, fitando a água lá em baixo, senti um forte cheiro de fumaça e ouvi barulho de batalha. Olhando ao redor e vi criaturas escamosas atacando a cidade e arrastando as pessoas para fora de suas casas que queimavam, ninguém era poupado. Nem minha tutora que tinha como uma mãe, pois me acolheu maternalmente enquanto bebe jogado ao meio fio.
Uma doce e carinhosa camponesa de cabelos longos e negros carismaticamente encantadora aos olhos de qualquer ser em plena consciência de seus atos, que foi estuprada, espancada e assassinada por integrantes de grupo de assalto, seres que pareciam precisar muito mais de sangue, agonia e dor à que somente ouro e pertences para encher seus sórdidos olhos vácuos de alma. Naquele momento o medo me dominava e eu acreditava que não ia sair dali vivo e minha crença no destino me fez mentalmente desejar sair de lá a qualquer preço, mas eu não aguentei ver toda aquela brutalidade e ficar simplesmente parado. Foi quando num surto de insanidade momentânea eu corri aos berros que margeavam o choro e a raiva, peguei a adaga de um dos soldados e sem que algum deles tivesse alguma reação, cravei-a na jugular do que me pareceu na época ser o comandante do grupo, pois era o único que estava desprevenido na hora por estar soltando berros de prazer enquanto abusava sexualmente de minha “mãe”. Exatamente nesse momento eu senti o verdadeiro gosto de vingança e afirmo com todas as letras que ela tem gosto de sangue. Nada se compara a sensação de prazer que senti naquela fração de segundo, ver aquele homem se afogando em seu próprio sangue e ajoelhando na minha frente fazendo-o ver o brilho do fogo negro de Anúbis em meus olhos e um leve sorriso sarcástico em minha face como quem diz “acabou”. Eis ai o meu 1º manifesto de magia. Precoce você me pergunta? Limite é a minha resposta. Tudo têm um limite, até mesmo a sanidade e o medo. Claro que depois desse episódio os soldados do grupo de assalto acharam mais sábio me levar como escravo ao invés de me matar, pois eles, mesmo sendo apenas guerreiros insanos interessados em sangue ainda sim podem ter lampejos de sanidade quando se trata de interesses de seus mestres. Mas numa rápida e esguia manobra consegui fugir daquele cenário e ao passar numa golfada de fumaça de um incêndio próximo vi a imagem de chacal selvagem e negro que me disse que eu poderia ter poder para viver e buscar o conhecimento perdido, o conhecimento que eu buscaria fora de casa, àquilo que um dia foi suprimido e deveria voltar a tona para por ordem no mundo. Então, aceitei o meu destino que me foi outorgado. Senti meu sangue queimar, meus olhos ardiam e minhas mãos suavam, mas nada disso era pelo incêndio da cidade, mas sim, vindo do poder que saia de minhas mãos e me tomavam e uma transformação eterna e, assim, passando por toda essa dor e manifesto de poder, os integrantes desse grupo de assalto conseguiram me dominar e me fazer prisioneiro de sua comitiva saqueadora.
Esse é um momento do qual eu nunca irei esquecer.
Assim sendo, passei muitos de meus anos encarcerado numa prisão, vivendo à pão e água, trabalhando com outros escravos matutina e intermediariamente com descanso noturno apenas, onde eu sempre tentava arranjar um jeito de fugir. Mas eu não precisei fazer muito esforço pra fugir. Numa certa noite um dos altos sacerdotes do grupo veio até mim na prisão. Então começou a minha perdição, pois ele começou a me mostrar que o mundo podia ser muito mais cruel do que tudo aquilo que eu já havia passado até então se continuasse sem controle e assim ele tentava me convencer que estando do seu lado eu os poderia ajudar a construir um mundo mais nobre, onde não haveriam regras mas também não haveriam limites punitivos, onde a lei seria somente a vontade de um ser e tudo seria tão mais bonito colocando rédeas no mundo. Essa é uma das minhas grandes decepções comigo mesmo, porque ao final da conversa eu acabei por sucumbir aos encantos do “Novo Mundo” e assim me deixei ser influenciado pelo mal pútrido desse novo mundo, abraçando as idéias mundanas desse grupo e os ideais de Anúbis.
Meu treinamento foi árduo, sofri penas severas por ser desobediente e teimoso no começo, mas aprendi a suportar dor física e mental; fui levado a sensações mágicas que, na época, eram estranhas à mim e das quais eu não compreendia, mas aprendi o que é a magia e quais as suas características e no entremeio desse treinamento fui aprendendo a controlar os meus dons mágicos embora ainda não saiba toda a sua dimensão. Entretanto posso afirmar que essa é a única coisa pelo qual eu posso agradece-los: o meu treinamento, afinal toda criação um dia destrói seu criador.
Sabendo de meus dons arcanos eles me treinavam para ser um de seus Bruxos de Elite, uma vez que sua armada arcana estava começando a se solidificar na época. Mas no meu 1º dia de missão, após alguns anos de treino e lavagem cerebral completa, eles nos mandaram à uma cidadela interiorana de Sword Coast para que nós à tomássemos e fizéssemos de lá um ponto de suprimento para as próximas guerras que planejavam. Depois de tantos anos só vendo desgraças, destruição, dor e agonia, finalmente eu poderia extravasar toda essa raiva em alguém que merecia: o cruel mundo no qual a minha “mãe” teve de sofrer pra entender que foi preciso. O grupo de assalto foi na frente dizimando tudo e todos no seu caminho e nós, feiticeiros aprendizes, os ajudávamos no flanco traseiro com magias de ataque e suporte. No fim do assalto a pequena cidadela resolvi dar uma volta para me certificar de que nada tinha restado nos escombros do que um dia foi um vilarejo com a vitalidade de uma ínfema população. Foi quando ao passar perto de uma ruína do que foi uma casa camponesa comecei a ouvir ruídos estranhos, mas ao mesmo tempo tão familiares. Foi quando voltei a minha infância ao ultrapassar os restos da porta de entrada da casa… A mesma cena… A familiaridade era tamanha que me pareceu que tudo aquilo que tinha aprendido até agora só serviu pra um único propósito: vingança, mas eu estava punindo as pessoas erradas. Exatamente nesse momento Amon Rá iluminou com sanidade e sapiência minha mente fazendo com que eu caísse em mim e notasse que os verdadeiros culpados por toda a dor que o mundo causára, não somente a mim, mas a incontáveis outras pessoas, era somente o asqueroso desejo de Poder Material. Ver aqueles soldados abusando daquela mulher como abusavam da minha “mãe” a anos atrás me deixou furiosamente concentrado em todo o meu treinamento até então. Eles a xingavam de nomes repugnantes e riam com a sagacidade de uma hiena ao passo que ela só podia chorar e gritar de dor graças ao “gentil” tratamento dos soldados para com ela. Eles me pediam para chegar mais perto para me divertir com ela, assim como eles faziam. Ainda um pouco estático, eu andei em direção do lugar em que eles estavam, mas acredite, não foi com o mesmo propósito que o deles… Eram apenas 5 simples batedores… Eu tinha de fazer alguma coisa… E fiz. Num lampejo visionário, vi Amon Rá e seu Grandioso Sol que me tornou canal de um poder imensuravelmente maior do que eu poderia realmente canalizar, mesmo com todo o meu aprendizado. Essa é a única e última coisa que me lembro dessa cena. Mas às vezes vejo lampejos do ocorrido em sonhos.

Após essa visão, olhei em minha mão direita e lá estava ela: a luva que vi na minha epifania quando criança e, assim, sabia que tinha feito a coisa certa, pois eu via os soldados queimando e pedindo pelas suas almas assim como uma criança pobre e faminta pede por 1 migalha de pão, pois sabe que se existe clemência o suficiente em um ser para que ceda a migalha também existe o suficiente para ceder o pão inteiro… A mulher totalmente em choque com a cena, não sabia se corria ou se tentava se esconder de tanto medo. Confesso que por uma fagulha de segundo foi até engraçado ver sua situação, mas logo entendi seu desespero e a mandei que fosse embora o mais rápido possível. Quanto aos soldados, bom, eu me diverti com eles fazendo-os sofrer muito mais do que eles para com a mulher. Os matei lentamente… Como deveria ser… Fazendo-os sentir todo o sofrimento de suas vítimas… 1 a 1… Assim como aprendi em treinamento: julgando-os e condenando-os.
Após tal atrocidade, que nem mesmo eu pude acreditar que fiz, percebi que se o grupo descobrisse o que acontecera naquela sala eu estaria morto, embora eu esteja determinado a querer muito mais do que a morte de simples soldados, eu não poderia voltar para trás por 2 motivos: Traição é o primeiro deles. Não só do Grupo que havia me treinado, mas também a traição dos ideais aos quais tinham sido os meus guias até então: os de Anúbis (é disso que eu tenho mais medo até hoje). O segundo é que eu não suportaria viver uma vida de carrasco de inocentes que querem apenas ser livres e viver suas vidas em paz, sem culpa alguma pelo mundo ser ou não violento; eles fazem a parte deles: trabalham por um mundo melhor, mas e eu? O que eu deveria fazer então? Lutar por mundo melhor? Não. Deveria lutar para que não seja controlado pelas mãos insanas do Império e pela minha tão sonhada liberdade na Terra.
Bem, após isso eu simplesmente fugi da cidadela procurando abrigo mais próximo para poder me recompor e me refugiar e por durante 15 longos anos eu vou caminhando de cidade em cidade para me aperfeiçoar na arte da magia e me dedicando as obras daquele a quem verdadeiramente sigo no coração: Amon Rá. Trazendo sua justiça solar àqueles que procuram o caminho da escuridão, seja ela representada por qualquer forma de mau. Justamente que é para ter a certeza de que nem Anúbis com a sua escuridão Carmim nem ninguém vai conseguir domar a minha tão sonhada liberdade novamente e tão pouco maltratar inocentes. Vou ter de lutar contra todos para que isso aconteça? Muito bem, que assim seja então. Se aqueles que cruzarem o meu caminho estão a favor do ideal de liberdade e justiça, seja ela como for, espero que minha companhia seja bem vinda e nossos interesses possam se intercalar, agora, se aqueles que cruzarem o meu caminho estiverem contra esses ideais, só posso dizer que não terei piedade com aqueles que resolveram seguir o caminho outrora escolhido por mim, porque agora não sou mais o jovem e inexperiente bruxo que o mundo conheceu, mas sim o Juiz do Sol.

Arkmen Rá

Tirania dos dragões Vancsek dicobbidias